Três dias depois de voltar da viagem, Margot voltou ao S.S.A. A noite estava ligeiramente fria. Fria o suficiente para fazer com que ela saísse de casa com um sorriso no rosto. No bar acontecia uma festa temática. Cinco dias antes era teria voltado atrás e saído. Saído por não se sentir a vontade entre as pessoas que estavam vestidas a caráter do tema. Não recuou. Observou as pessoas e seguiu para o balcão. Cumprimentando o barman, abriu a bolsa e entregou o copo. "Creio que não se lembra... mas, aqui está!". Ele sorriu, pegou o copo da mão de Margot e a inquiriu "Gim tônica duplo, com muito gelo e limão!?". Ela sorriu e respondeu "Você não esqueceu! Sim... gim tônica duplo, com muito gelo e limão!". Margot e o barman começaram a conversar sobre a festa e a música. Ao mesmo tempo, através dos olhos, ela circulava pelo salão, procurava por ele. "Ele está lá em cima!", exclamou o barman. Sorriu e pediu outra dose. "Vai preparando aí, já volto!". Subiu as escadas, empurrou a porta e entrou de maneira discreta. Algumas pessoas estavam próximas às estantes. Ela o procurou e não o encontrando à primeira vista, caminhou pela sala, olhando cada fileira de livros. "Oi! Procurando algo... ou alguém?". Margot sorriu e respondeu "Parece que acabei de encontrar!". Os dois sorrisos se encontraram e resultaram em um abraço longo! Passado os cumprimentos, voltaram ao bar. O barman serviu aos dois, o gim tônica e o vinho branco gelado.
A conversa fluía de maneira natural, sobre os mais variados assuntos, a viagem dela, o trabalho e a mudança de Carter, chegando até à uma vizinha dele que não gostava de gatos. Algum tempo depois ficaram em silêncio, olhando um para o outro, ficaram assim por alguns segundos. Margot interrompeu o momento com um sorriso e disse "Vamos dançar!". Imediatamente ele respondeu "Mas não sei dançar! Terei que recusar seu convite!". "Isso não é muito bom... mas, quem disse que eu sei dançar?!?" replicou ela. Sorriram e foram para o meio do salão onde outras pessoas dançavam. A música eletrônica e as luzes faziam com que Margot se sentisse fora do corpo. Carter, ainda um pouco tímido, entrou no ritmo de Margot. "Sinta a música!" cochichou ela no ouvido dele. "Quero sentir você!" respondeu ele. "O QUEEEE???" indagaram ambos ao mesmo tempo e sorriram juntos. Dançaram por alguns minutos e voltaram ao balcão. "Para quem não dança, até que você não está tão mal assim!" disse ela. Ele sorriu e a questionou "Então, o que vamos fazer?", e sem hesitar ela respondeu "Não sei você... mas quero sair daqui... acho que preciso de um banho!". Novamente alguns segundos de silêncio e ela pediu mais uma dose. "Já bebeu demais por hoje, mocinha! Não acha?". "Acho que não o beijei o suficiente por hoje!" exclamou ela ironicamente. "É o que acha? ... Muito bem!" Puxando Margot para junto de seu corpo, Carter a beijou. Margot não se esquivou e retribuiu o gesto.
Em sintonia, as mãos dele percorriam a pele arrepiada dela. As horas seguintes foram testemunhas do momento sexualmente íntimo de ambos. Percorreram, reciprocamente, os corpos. Os movimentos suaves e intensos conferiam grande prazer ao momento. Os beijos quando pareciam perto do fim, reiniciavam mais uma vez e resultavam expressões de satisfação. Carter e Margot sorriam intimamente. Mas a expressão facial de cada um não revelava esse sorriso. Queriam mais e mais, sentir um dentro do outro. E assim fizeram. Se sentiram unidos, juntos. Os corpos nus, dispostos sobre a cama, acalmaram um nos braços do outro. Adormeceram.
Ao abrir os olhos, Carter procurou por Margot na cama. "Estou aqui!" disse ela. Margot estava sentada na poltrona, com uma gata no colo. "Bom dia! Que horas são?" perguntou ele, levantando da cama e enrolando no lençol. "Ainda é cedo... não são nem sete horas... estava esperando você acordar para ver se eu poderia tomar um banho... daí encontrei esta mocinha aqui. Acho que ela gostou de mim!". Caminhando em direção a ela, respondeu "Parece que gostou sim. Ela não fica assim com estranhos. É a Gata, minha gata!" , sorriu e continuou "... claro que pode tomar banho. Venha, eu ajudo você!" Estendeu a mão para Margot, que retribuiu o gesto, colocou Gata sobre a poltrona e segui com ele para o banheiro. Carter ligou o chuveiro, tirou a blusa de Margot e a levou para debaixo da água morna que caía. "O que foi?" "Nada!". "Você não quer que eu faça isso?!", "Tudo bem! Pode continuar!", "Se não quiser, espero você lá fora... pode ficar a vontade..." Margot o abraçou e pediu que ele ficasse. Carter a ajudou no banho. Ela retribuiu o gesto e mais uma vez ficaram juntos, agora sob o chuveiro. Enrolada na toalha, o observava a vestir a roupa e se perfumar. "Não vai se vestir?" perguntou ele. "Vou sim!", sorriu ela. "Vamos tomar um café reforçado e depois eu a deixo em casa, certo?". Vestindo a roupa, Margot virou-se para ele, sorriu e acenou a cabeça confirmando o que ele acabara de dizer.
Margot entrou em casa. Amarelo andava de um lado para o outro. "O que foi Amigão!?!?? Já estou aqui! Já cheguei!! Eu sei, está com fome... já vou preparar seu café da manhã!" Caminhou até a cozinha, abriu o armário e serviu a comida do cão. Trocou a água e disse "Pronto! Agora não precisa mais reclamar!". Amarelo latiu como que num gesto de agradecimento. Margot foi para o quarto e deitou sobre a cama, de modo que a cabeça ficou para baixo, ela viu Amarelo entrando pela porta e disse: "Super cão! Andando pelo teto novamente! Vem cá!" Virou e se sentou na cama. Amarelo pulou sobre a cama e ela começou a fazer cócegas na barriga dele. "Preciso contar sobre minha noite... é isto que quer saber não é?! Pois bem... agora ouça com atenção... " Ela iniciou a narrativa da noite até chegar ao momento que chegou em casa. "Então, Amarelo, foi isso, nosso segundo encontro. Talvez o último. Ainda não sei. Não é pessimismo! Mas, eu sei... nossos corpos estavam juntos, mas nossos corações não! Eu sei que o coração dele está tão distante quanto o meu. Creio que para o momento isto é apropriado. Vai ser melhor assim." Margot ouviu o barulho da chuva que se iniciava. Levantou da cama e foi até a janela. Algumas pessoas corriam para se esconder. Outras abriam o guarda-chuva. Carros diminuiam a velocidade... o ritmo da cidade não mudara, mas os pensamentos de Margot estavam em outro ritmo, freneticamente acelerados.